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v. 1 n. 3 Julho 2025 Revista Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais

Nesta terceira edição da Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, reunimos reflexões e análises que orbitam os núcleos simbólicos do desejo, da escuta clínica e da produção ética de subjetividades. Os artigos publicados exploram campos variados da saúde mental, da cultura, da psicanálise e da filosofia, tensionando os limites entre o sofrimento psíquico e os dispositivos de escuta contemporânea.

Destacam-se nesta edição discussões sobre o colapso simbólico na clínica, o papel do analista como operador ético-simbólico e a emergência de novos modos de existência mediados pelo Éthos. A revista reafirma seu compromisso com uma abordagem plural, aberta ao debate e rigorosa em sua curadoria editorial, promovendo o diálogo entre clínica, cultura e produção científica interdisciplinar.

Agradecemos a todos os autores, pareceristas e leitores por mais uma edição que afirma a Interapia como um espaço de travessia, pesquisa e elaboração.

O Campo Ético-Simbólico: Desejo, Subjetividade e Clínica na Teoria Simbólica da Travessia.

1. Introdução – A Urgência de uma Teoria Simbólica Contemporânea Nos interstícios de um mundo fragmentado, entre a opulência imagética e o silêncio da linguagem interior, uma pergunta se impõe com violência ética: o que resta do sujeito quando o símbolo falha? Essa não é apenas uma questão filosófica, mas um clamor clínico que emerge das escutas do cotidiano, dos consultórios, das redes sociais, das escolas, das famílias e dos corpos. O mal-estar contemporâneo não parece mais residir apenas na repressão de desejos, como propunha a psicanálise clássica, mas sobretudo na impossibilidade de simbolizá-los de forma ética — ou seja, de desejá-los sem entrar em ruína. A subjetividade atual vive uma tensão inédita: ela é exigida a ser plena, coerente, desejante, criativa, mas ao mesmo tempo é aprisionada por estruturas simbólicas falidas, idealizações exógenas, excesso de performance e um mercado afetivo que transforma o desejo em produto. A psicanálise, nesse

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